O Modelo 30 é a declaração mensal que o substituto tributário português entrega à Autoridade Tributária até ao fim do segundo mês seguinte ao mês em que pagou (ou colocou à disposição) rendimento a um fornecedor não residente. No Quadro 7 declara-se, por linha, o identificador fiscal estrangeiro do beneficiário, o país, o código de tipo de rendimento, o valor bruto pago e a retenção aplicada — à taxa interna de 25% prevista no Código do IRC, ou à taxa reduzida da convenção contra dupla tributação quando o Modelo 21-RFI e o certificado de residência fiscal do fornecedor estão válidos à data do pagamento.
Dois prazos coexistem no mesmo ciclo mensal e a SERP atual mistura-os com frequência. A retenção é entregue ao Estado até ao dia 20 do mês seguinte ao mês do pagamento. A declaração Modelo 30 é submetida até ao fim do segundo mês seguinte. Não confundir: o pagamento da retenção ocorre em m+1; a declaração admite folga até m+2.
Para a maior parte dos contabilistas certificados que servem PME portuguesas com pagamentos recorrentes a Google Ireland, Microsoft Ireland, Adobe, AWS, HubSpot ou consultores estrangeiros, o trabalho mensal não está na compreensão das regras — está em transformar um mês de pagamentos a não residentes num mapa pronto a submeter, sem deixar fornecedores mal classificados, sem retenção em falta, e sem documentação CDT inválida que crie responsabilidade solidária retroativa.
Este artigo descreve o workflow no sentido inverso ao habitual. Em vez de partir do formulário e descer às regras, parte do mapa Modelo 30 já submetido e recua até ao lote de faturas estrangeiras que o gerou. O caminho passa por reunir o lote do mês, classificar cada pagamento entre royalty, serviço técnico e serviço B2B normal, ativar a CDT quando aplicável, produzir o workpaper na granularidade certa, e reconciliar o ciclo com a contabilidade. O ângulo mais arriscado — a área cinzenta da classificação dos SaaS estrangeiros mais comuns — fica resolvido com tabela de referência cross-vendor e decision tree, com a ressalva inevitável de que cada caso confirma-se contra os termos contratuais reais.
Dois jobs, um documento: o que separa Modelo 30 do IVA e dos recibos verdes domésticos
A mesma fatura de fornecedor estrangeiro despoleta duas obrigações distintas em momentos diferentes. No recebimento, é matéria de IVA: o adquirente português autoliquida o imposto na sua declaração periódica e, regra geral, deduz-o no mesmo período — operação cash-neutral. No pagamento, é matéria de IRC (ou IRS, consoante a natureza do beneficiário): pode haver retenção na fonte a entregar ao Estado, com impacto financeiro real. Os dois processos consomem o mesmo lote mensal de faturas estrangeiras como input, mas seguem cadências, formulários e prazos próprios — a autoliquidação de IVA e Declaração Recapitulativa para faturas estrangeiras corre no calendário da DPIVA, o Modelo 30 corre no calendário do dia 20 / fim do segundo mês descrito acima.
O Modelo 30 também não se confunde com o regime doméstico da retenção na fonte de recibos verdes de prestadores residentes. A família regulatória é a mesma — retenção na fonte sobre prestadores de serviços — mas o regime legal é distinto. Prestadores residentes em Portugal seguem o artigo 101.º do CIRS, com retenção declarada na DMR mensal e cruzada no Modelo 10 anual. Fornecedores não residentes seguem o artigo 87.º do CIRC ou o artigo 71.º do CIRS, com retenção declarada no Modelo 30 mensal e com a particularidade do Modelo 21-RFI para ativação da convenção contra dupla tributação. Confirmar primeiro a residência fiscal do fornecedor é o filtro inicial que decide para qual workflow o pagamento entra.
Reunir o lote do mês: pagamentos a não residentes cruzados com as faturas estrangeiras
O critério temporal definitivo é a data do pagamento ou de colocação à disposição do rendimento, não a data da fatura. Uma fatura emitida em janeiro mas paga em março entra no Modelo 30 de março (a entregar até ao fim de maio); uma fatura de março paga já em janeiro do ano seguinte só entra no Modelo 30 desse mês. O ponto não é trivial: subscrições SaaS com débito automático antecipado, comissões agregadas em fim de trimestre, e pagamentos por cartão de crédito empresarial com diferimento são casos correntes em que data de fatura e data de pagamento não coincidem.
A fonte do lote é o registo de pagamentos cruzado com a pasta de faturas estrangeiras do período. Os pagamentos saem dos extratos bancários da conta principal, dos extratos dos cartões de crédito empresariais, e dos relatórios mensais dos gateways de pagamento e de cobrança (Stripe, Wise, PayPal, Revolut Business). A pasta de faturas estrangeiras agrega tudo o que recebeu IVA autoliquidado na DPIVA — o mesmo conjunto que alimenta o trabalho descrito em preparar a declaração periódica de IVA a partir de faturas recebidas. O cruzamento é por contraparte, valor e data; cada pagamento tem de chegar ao Modelo 30 com a fatura associada, sob pena de classificação imprecisa.
Há sempre casos a sinalizar no fecho do lote. Pagamentos sem fatura no momento — subscrições com débito automático antes da emissão, comissões agregadas, taxas de cartão internacional faturadas no extrato — entram em lista de seguimento à fatura junto do fornecedor antes de fechar o mês. Pagamentos a pessoas singulares com residência fiscal em Portugal saem do lote: pertencem ao workflow doméstico de retenção, não ao Modelo 30. Pagamentos a entidades estrangeiras com estabelecimento estável em território português também saem, na medida em que os rendimentos sejam imputáveis a esse estabelecimento — não há retenção a título definitivo sobre rendimentos já tributáveis em IRC pelo regime geral de estabelecimento estável.
A cadência operacional que serve sem fricção os dois prazos do ciclo: lote do mês m fechado até ao dia 5–10 do mês m+1; classificação por categoria de rendimento até ao dia 15; validação CDT (Modelo 21-RFI e certificado de residência fiscal) até ao dia 18; pagamento da retenção ao Estado por volta do dia 19, dentro do prazo; submissão da declaração Modelo 30 idealmente na primeira metade de m+2, com folga até ao fim do mês. Quem espera pelo fim de m+2 para começar fica com pouca margem para seguimento de documentos CDT em falta, e é nesses dias finais que o risco solidário se materializa.
Classificar cada pagamento: royalty, serviço técnico ou serviço B2B normal
A área cinzenta com que o contabilista se debate todos os meses não está nos casos extremos — está nos pagamentos a SaaS estrangeiros recorrentes, em que a categorização do rendimento decide se há retenção ou não. O ponto de partida regulatório é firme: o artigo 87.º do Código do IRC fixa que a taxa de IRC aplicável a rendimentos auferidos por entidades sem sede nem direção efetiva em território português, e não imputáveis a estabelecimento estável aí situado, é de 25%, salvo redução prevista em convenção contra dupla tributação. A taxa interna é, portanto, sempre 25%; o que muda entre tipos de rendimento é se o pagamento de serviços a não residentes desencadeia retenção na fonte em Portugal, e que taxa CDT eventualmente o reduz.
Para a generalidade dos casos correntes, três perguntas sequenciais resolvem a classificação.
Primeira pergunta: há transferência de know-how, de propriedade intelectual, de direito de uso de obra ou marca, ou de software com transferência de direito sobre o código? Se sim, o rendimento qualifica como royalty. Cai no âmbito da retenção a título definitivo, à taxa interna de 25%, frequentemente reduzida a 5–10% por CDT consoante o país do prestador. Casos típicos: licenciamento de software com direito de redistribuição ou de adaptação, licenças de patentes, royalties de marca, direitos de autor sobre conteúdo licenciado.
Segunda pergunta: há prestação de serviço com componente técnico — consultoria, engenharia, assistência técnica, formação especializada — com conexão a território português ou a entidade portuguesa? Se sim, o rendimento qualifica como serviço técnico ou assistência técnica, com retenção a título definitivo à taxa interna de 25%, frequentemente reduzida ou eliminada por CDT consoante a categoria e a jurisdição do prestador. Casos típicos: consultoria internacional sobre projetos do cliente português, suporte técnico especializado faturado por consultor estrangeiro, formação técnica em produto vendido pelo cliente.
Terceira pergunta: há mera subscrição de software-as-a-service sem direito sobre o código, ou serviço de publicidade prestado pelo prestador no seu próprio país? Se sim, o rendimento qualifica como serviço B2B normal e fica, regra geral, fora do âmbito da retenção na fonte IRC. A operação é matéria de IVA (autoliquidação no recebimento), não de IRC. Casos típicos: subscrição de plataforma SaaS final-user, publicidade online no inventário do próprio prestador, alojamento cloud sem componente de assistência técnica dedicada.
A tabela seguinte aplica este enquadramento aos SaaS estrangeiros mais comuns nas contabilidades portuguesas. Trata-se de enquadramento típico, sujeito a confirmação caso a caso — a classificação depende dos termos contratuais reais e do uso efetivo da prestação. Uma fatura Microsoft Ireland pode ser serviço B2B (subscrição Microsoft 365 final-user) ou royalty (licenciamento Enterprise com termos de redistribuição); uma fatura Adobe pode ser subscrição padrão ou licenciamento corporativo com transferência de direito. A tabela descreve o enquadramento mais comum, não substitui análise contratual nem decisão do contabilista certificado.
| Vendor | Jurisdição típica do prestador | Natureza típica do rendimento | Retenção em Portugal | Taxa interna / taxa CDT típica | Código indicativo Quadro 7 |
|---|---|---|---|---|---|
| Google Ads | Google Ireland (IE) | Serviço de publicidade B2B normal | Não, regra geral | n/a | n/a (matéria IVA) |
| Facebook Ads / Meta | Meta Platforms Ireland (IE) | Serviço de publicidade B2B normal | Não, regra geral | n/a | n/a (matéria IVA) |
| LinkedIn Ads | LinkedIn Ireland (IE) | Serviço de publicidade B2B normal | Não, regra geral | n/a | n/a (matéria IVA) |
| AWS | Amazon Web Services EMEA SARL (LU) | Serviço B2B normal (cloud) | Não, regra geral | n/a | n/a (matéria IVA) |
| Microsoft 365 (subscrição final-user) | Microsoft Ireland (IE) | Serviço B2B normal (SaaS) | Não, regra geral | n/a | n/a (matéria IVA) |
| Microsoft Enterprise / licenciamento volume | Microsoft Ireland (IE) | Potencialmente royalty (termos contratuais) | Possível, conforme contrato | 25% interna; redução CDT Portugal–Irlanda | Rendimentos de royalties |
| Adobe Creative Cloud (subscrição padrão) | Adobe Ireland (IE) | Serviço B2B normal (SaaS) | Não, regra geral | n/a | n/a (matéria IVA) |
| Adobe licenciamento corporativo / VIP com termos de redistribuição | Adobe Ireland (IE) | Potencialmente royalty | Possível, conforme contrato | 25% interna; redução CDT | Rendimentos de royalties |
| HubSpot | HubSpot Ireland (IE) | Serviço B2B normal (SaaS) | Não, regra geral | n/a | n/a (matéria IVA) |
| Salesforce | Salesforce.com EMEA Limited (IE) | Serviço B2B normal (SaaS) | Não, regra geral | n/a | n/a (matéria IVA) |
| GitHub | GitHub Inc. (EUA) | Serviço B2B normal (SaaS) | Não, regra geral | n/a | n/a (matéria IVA) |
| Stripe (taxas de processamento) | Stripe Payments Europe Limited (IE) | Serviço B2B normal (intermediação financeira) | Não, regra geral | n/a | n/a (matéria IVA) |
| Consultor estrangeiro individual ou empresa de consultoria | Variável | Serviço técnico / assistência técnica | Sim | 25% interna; redução CDT consoante país | Rendimentos de prestação de serviços técnicos |
| Licenciamento de software com transferência de direito | Variável | Royalty | Sim | 25% interna; redução CDT consoante país | Rendimentos de royalties |
| Comissão de intermediação a agente estrangeiro | Variável | Comissões | Sim | 25% interna; redução CDT consoante país | Comissões |
O padrão observável é claro. A esmagadora maioria dos SaaS estrangeiros que aparecem mensalmente — publicidade online, subscrição cloud final-user, plataformas CRM e produtividade — é serviço B2B normal e fica fora do Modelo 30. O Modelo 30 do mês concentra-se, na maior parte das PME, nas faturas de consultores estrangeiros (serviços técnicos) e em licenciamentos de software com termos de royalty. Confirmar a categoria contratualmente antes de fechar a classificação é trabalho de minutos por fornecedor; aplicar a categoria errada gera liquidação adicional retroativa evitável.
Os códigos do Quadro 7 mais frequentes neste contexto são os relativos a royalties, a prestação de serviços técnicos, e a comissões. A tabela completa de tipos de rendimento está disponível no próprio formulário do Modelo 30 no Portal das Finanças e deve ser consultada antes da submissão para confirmar o código correto por linha.
Ativar a CDT: Modelo 21-RFI, certificado de residência fiscal e o risco do substituto tributário
Aplicar a taxa reduzida da convenção contra dupla tributação em vez dos 25% internos não é automático nem é uma decisão do substituto tributário — depende de dois documentos em arquivo, válidos à data do pagamento. O primeiro é o Modelo 21-RFI assinado pelo fornecedor não residente, nas versões I, II ou III consoante a categoria do rendimento (a categoria correta segue do enquadramento feito na secção anterior; o formulário aplicável consulta-se no Portal das Finanças). O segundo é o certificado de residência fiscal emitido pela autoridade fiscal do país do fornecedor, atestando que o beneficiário é residente fiscal nesse país no momento relevante. Sem ambos válidos à data do pagamento ou da colocação à disposição do rendimento, a CDT não está ativada — independentemente de Portugal ter convenção em vigor com o país em causa.
O certificado de residência fiscal tem tipicamente validade anual e exige renovação. Para fornecedores recorrentes, isto significa manter um registo de controlo de validades por contraparte: número fiscal estrangeiro, país, data de emissão do certificado, data de validade, link ao PDF arquivado, link ao Modelo 21-RFI correspondente, e estado atual (válido, a renovar nos próximos 60 dias, expirado). Em prática, este registo vive numa folha de cálculo ou no módulo de fornecedores do software de contabilidade, e é a fonte da lista de seguimento mensal — antes de processar o próximo pagamento a um fornecedor recorrente, confirma-se que ambos os documentos estão válidos e, se algum está a expirar dentro de 60–90 dias, contacta-se o fornecedor para renovação antes do pagamento ocorrer.
O risco de correção retroativa é financeiramente material e merece ser entendido sem ambiguidade. Na ausência de Modelo 21-RFI e certificado de residência fiscal válidos à data do pagamento, o substituto tributário português é solidariamente responsável pela retenção que devia ter aplicado à taxa interna de 25%, ainda que a CDT preveja taxa inferior. Numa inspeção da AT, a liquidação adicional recai sobre o substituto, com juros compensatórios desde a data do pagamento original e possível coima por retenção em falta. Cada pagamento mal documentado é uma exposição independente — uma carteira com vinte fornecedores recorrentes e documentação CDT desatualizada acumula vinte correções paralelas potenciais, não uma única.
Quando os documentos só chegam depois do pagamento, há uma alternativa operacional. Reter à taxa interna de 25% no momento do pagamento, transferir o valor líquido ao fornecedor, e processar reembolso retroativo ao fornecedor (ou orientar o fornecedor para pedido de reembolso direto à AT) assim que os documentos chegarem. É um caminho mais pesado em fluxo de tesouraria e em comunicação com o fornecedor, mas elimina o risco solidário e é defensável em inspeção. Para fornecedores recorrentes, o objetivo é estabilizar o arquivo CDT de forma a que a redução esteja sempre pré-ativada — esta alternativa é exceção, não regra.
Alguns casos saem da lógica habitual. Pagamentos a beneficiários residentes em jurisdições constantes da Portaria 150/2004 (paraísos fiscais) e em países sem CDT em vigor com Portugal não admitem redução de taxa, e em certas configurações há agravamentos aplicáveis — confirmar caso a caso antes de aplicar a taxa interna padrão.
Produzir o mapa Modelo 30 do mês a partir do lote de faturas extraídas
A granularidade certa do mapa é linha por pagamento. Permite reconciliar cada retenção com a fatura fonte e com o lançamento contabilístico correspondente, e mantém a rastreabilidade exigida em inspeção. A agregação por fornecedor + categoria de rendimento + mês é admissível em alguns casos pela tolerância da AT, mas perde rastreabilidade — preferível agregar apenas quando o volume de pagamentos a um mesmo fornecedor é grande o suficiente para justificar a perda de detalhe.
As colunas operacionais do workpaper, submetíveis ou de auditoria interna, são as seguintes:
- Identificador fiscal estrangeiro do beneficiário (NIF do país do fornecedor; VAT number europeu quando o fornecedor é UE; identificador fiscal local equivalente para fornecedores fora da UE).
- País do fornecedor (código ISO ou denominação aceite pelo Portal das Finanças).
- Código de tipo de rendimento correspondente ao Quadro 7 (royalty, prestação de serviços técnicos, comissões, ou outro código do formulário).
- Valor bruto pago no mês (em euros; conversão à taxa de câmbio aplicável quando o pagamento foi noutra moeda).
- Taxa de retenção aplicada (25% interna, ou taxa CDT reduzida quando ativada).
- Valor retido (calculado sobre o valor bruto à taxa aplicada).
- CDT invocada (sim/não; país da convenção; identificação do artigo da CDT quando aplicável).
Colunas adicionais de auditoria interna, não submetidas mas críticas para o controlo de qualidade e para responder a pedidos de esclarecimento da AT: referência à fatura fonte (número e data), link ao Modelo 21-RFI no arquivo, link ao certificado de residência fiscal, e coluna de observações para casos não-padrão.
O processo desemboca em dois entregáveis. O primeiro é o workpaper Excel ou CSV do mês, na granularidade descrita, no formato compatível com o Quadro 7 do Modelo 30 e importável para o software de contabilidade (Primavera, PHC, Sage, Moloni, entre outros) para lançamento da retenção em conta. O segundo é a lista de seguimento dos fornecedores sem Modelo 21-RFI ou certificado de residência fiscal válidos no ciclo do mês — entrada direta para o trabalho de manutenção do arquivo CDT antes do próximo ciclo de pagamentos.
Aqui é que a extração estruturada do lote de faturas estrangeiras se encaixa no workflow. As colunas factuais do workpaper — identificador fiscal do fornecedor, país, valor bruto pago, descrição da prestação a partir do detalhe da fatura, data da fatura — saem todas dos próprios documentos. Quando o lote mensal passa por extração automatizada de faturas de fornecedores com um prompt reutilizável que devolve estas colunas estruturadas em Excel ou CSV, o contabilista deixa de reentrar manualmente campo a campo e passa a aplicar o seu juízo onde ele vale: na classificação por categoria de rendimento e na validação CDT. O Invoice Data Extraction faz precisamente este passo — o utilizador descreve em prompt o que quer extrair, carrega o lote de faturas estrangeiras do mês, e recebe um ficheiro estruturado em minutos, com referência à página fonte por linha para verificação. O lote mensal de uma contabilidade típica está confortavelmente dentro dos limites de batch da plataforma, e o mesmo prompt aplica-se ciclo após ciclo com saída consistente. A ferramenta substitui o trabalho mecânico de reentrada; o juízo profissional sobre classificação, ativação CDT e responsabilidade do substituto tributário permanece, naturalmente, com o contabilista certificado.
O caminho final do workpaper segue dois trilhos paralelos, alimentados pelo mesmo ficheiro. O primeiro é o upload ao Portal das Finanças no quadro de submissão do Modelo 30, com o mapa em formato compatível com o Quadro 7. O segundo é a importação para o software de contabilidade, com lançamento na conta 24246 (ou conta SNC equivalente para retenções na fonte por entregar referentes a IRC de não residentes) e processamento do pagamento líquido ao fornecedor. Os dois trilhos servem propósitos distintos — declaração à AT e reconhecimento contabilístico — e correm em cadências distintas, com prazos próprios cada um.
Reconciliar contabilidade e cumprir os dois prazos: dia 20 da retenção, fim do segundo mês da declaração
O lançamento contabilístico em SNC é direto. Ao processar o pagamento ao fornecedor não residente, debita-se a conta do fornecedor pelo valor bruto da fatura, credita-se a conta 24246 (retenções na fonte por entregar — IRC de não residentes; nas estruturas de plano de contas que separam IRS e IRC, usar a subconta correspondente à categoria do beneficiário), e credita-se a conta de depósitos à ordem pelo valor líquido efetivamente transferido. A conta 24246 zera quando o substituto tributário paga a retenção à AT através da guia gerada no Portal das Finanças.
Os dois prazos do ciclo mensal correm em paralelo e cumprem-se separadamente. O pagamento da retenção ao Estado é até ao dia 20 do mês seguinte ao mês do pagamento (ou colocação à disposição) do rendimento ao fornecedor. A guia é gerada e paga no Portal das Finanças, e o lançamento liquida a conta 24246. A entrega da declaração Modelo 30 é até ao fim do segundo mês seguinte ao mês em que ocorreu o pagamento, submetida no Portal das Finanças por contabilista certificado. As duas datas não se misturam, e respeitar uma não dispensa a outra. Para o mês de janeiro, a retenção paga-se até 20 de fevereiro e o Modelo 30 entrega-se até ao fim de março.
A cadência mensal que serve os dois prazos sem fricção tem uma forma estável. Lote do mês m fechado nos primeiros dias do mês m+1. Classificação por categoria de rendimento e validação CDT até ao dia 15 de m+1. Geração da guia de pagamento e transferência da retenção ao Estado entre o dia 17 e o dia 19 de m+1, dentro do prazo do dia 20. Submissão da declaração Modelo 30 idealmente na primeira metade de m+2, com folga até ao fim do mês para responder a qualquer pedido de esclarecimento ou para seguimento de documentos CDT que possam ter chegado tarde. Em práticas multi-cliente, encadear os ciclos por carteira em vez de processar tudo no fim do mês reduz a concentração de risco operacional.
A informação reportada no Modelo 30 cruza-se anualmente com outras obrigações declarativas e fica disponível para inspeção da AT. As retenções entregues durante o ano integram a base de dados que a AT cruza com a IES e com as obrigações SAF-T PT da contabilidade e da faturação, e o arquivo dos documentos comprovativos — faturas estrangeiras, Modelo 21-RFI, certificados de residência fiscal, comprovativos de pagamento — fica sob escrutínio em ações inspetivas. Manter o arquivo organizado por mês, com os links de auditoria do workpaper a apontar para o ficheiro fonte, reduz dramaticamente a fricção em qualquer pedido de esclarecimento posterior. É um trabalho marginal no ciclo mensal e poupa horas em cada inspeção.
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